Poemas do Professor:

Amanhã - Hay-Kay - Drink da Morte - Mãe - Retrato da Vida Moderna - Sabe - O Brilho Prateado

 

Amanhã

 

Amanhã, 

Se eu morrer.

Não chore minha morte.

Chore minha sorte.

Por eu haver morrido.

Porque:

Feliz fui

Um dia,

Em Paz,

Não volto mais...

(Heraldo José Meirelles).

Hay-Kay Of Rose 

(Pequeno Poema para Rosa)

Antes,

Era Eu.

Hoje,

Digo Nós.

Antes,

Era só.

Hoje,

Falo Sós.

Você,

Eu,

Nós,

A Sós.

(Heraldo José Meirelles).

O Brilho Prateado

O brilho da prata

Que de teus olhos inflama

Redime meu superego

Enfeitiça, atrai-me e chama.

E queima e clama

Pelo fogo do amor

E meu silêncio reclama

De tão forte dor.

A dor e o grito

Silenciam-me a voz

Aperto-te em meus braços

Agressivo e feroz

E então aproximo

Meus lábios dos teus

Por uma atração energética e infinita

Explicada por Deus

E uma vez os dois

Coladinhos assim

Cerram-se os olhos

E o brilho prateado por fim.

(Heraldo José Meirelles).

 

Sabe

 

 

Sabe...

Se contemplares a tarde um dia

E notares que ela está triste

É a anunciação de que alguém

Num canto, sozinho, existe.

 

Se por alguns instantes o céu nublar

E o dia lindo, melancólico ficar

É a anunciação de que alguém

Num canto, sozinho, triste estar.

 

Se uma brisa fria

Tocar teu corpo inteiro

Como a uma carícia ofegante

É a anunciação de que alguém

Num canto, sozinho, sente a tua falta

E desfruta da solidão constante...

(Heraldo José Meirelles).

Retrato da Vida Moderna

Ó, meu Deus...

Um outro dia eu me compadeci

Ao ver uma cena enternecedora.

Não. Não penses que assisti a uma chacina,

Mostrada por algum filme da Fox ou da Columbia Picture.

Antes fosse, meu Deus. Antes fosse...

O que presenciei, meu Deus,

Foi indescritível e humilhante

Algo ultrajante para mim e para nós...

 

Nunca pensei que coisa assim aconteceria hoje,

No final do século vinte

A era do modernismo,

Do avanço tecnológico

E da conquista espacial.

Tal cena chocante, jamais esquecerei.

 

O que vi, meu Deus!

Foi a fome,

Foi o lixo,

Foi o homem...

 

Um pobre e esfaimado mendigo

Teu filho, tua imagem, meu irmão...

Um homem em que mediante momento

Revirava em fúria, devido à fome.

A procurar entre o lixo, o escasso alimento.

E defendia com a vida, o pútrido achado.

Para que de outros não fosse roubado

Um homem ou um bicho?

 

Não pude me conter,

Chorei incessantemente

Na tentativa daquilo compreender

Ó, meu Deus...

Uma terra de grande fartura que era,

Cujo próprio Moisés dissera:

“Manar leite e mel”.

Hoje é uma “Selva de Pedra”

Cheia de amarguras e sofrimento

Uma terra dominada pelo egoísmo

Pela eucrasia e a ambição.

Onde ninguém dá mais valor aos teus legados bíblicos

De que valeu tua morte, então?

E, de que adiantaram tuas palavras,

Quando disseste:

“Ama teu próximo como a um irmão”.

 

Aquela cena...

Aquele homem esquelético em meio ao lixo

Fizeram-me lembrar você,

De seus ensinamentos.

 

Eu chorei, chorei...

Não porque tive dó,

Chorei porque tive ódio, dor,

Chorei porque senti raiva

Chorei porque não pude fazer nada

Chorei pela ignorância de meus irmãos

Os ricos, fidalgos, burgueses, cristãos.

 

Por não comparecerem, nem ajudarem.

Com tanta fartura, cercados de luxurias,

Fechados em seus apartamentos...

 

São tão egoístas que não se importam

Com o que deva estar acontecendo lá fora.

Não se importam com os outros; nossos irmãos.

Preocupam-se exclusivamente com suas vidas.

Em desfrutar de todo prazer.

 

Ó, Pai...

“Perdoai-vos, eles não sabem o que fazem”.

Deixai-os viver em seus castelos alusivos

Isolados em seus próprios mundos

Um mundo de orgia e de tamanho escarcéu.

 

Mal sabem os coitados:

“Que é mais fácil passar o camelo

Pelo buraco de uma agulha,

Do que um rico entrar no reino dos céus”.

 

Sejais justo, humilde e caridoso, lembrai  que tudo que possuirdes não vos pertenceis, apenas manténs sua guarda pela vontade de Deus, mas vós sereis chamado à presença dele para explicar como os administraste. Lembre-se disso!

(Heraldo José Meirelles).

Mãe

 

Mãe!

 E santa

Que em suplício

Canta.

Mãe!

É anjo

Que embala filho

Acalenta marmanjo

Mãe!

É boa.

Dá sempre amor

Mesmo que seja à-toa.

Mãe!

Pequena é a palavra,

Mas grande é o significado

Preenche todo espaço

Deste enunciado

MAE!  

(Heraldo José Meirelles).

Drink da Morte

 

O homem que bebe, quando toma seu álcool, ele não esvazia a garrafa.

Troca de lugar com ela.

O homem que bebe, quando retorna para sua casa, ele não chega.

Sai dela.

Todo homem que bebe, quando vai dormir, ele não adormece.

Desmaia.

Todo homem que bebe e se acomoda, ele não deitou.

Caiu.

Todo homem que bebe, quando desperta, ele não se acorda.

Saiu do coma.

Todo homem bebido, quando se ergue, não se levanta.

Arrasta-se.

Todo homem que bebe, quando volta a si depois do porre.

Ele finalmente retorna a vida.

Todo homem que bebe, se reconhecer o mal que a bebida provoca.

Ele é homem para jamais beber de novo.

Porque o homem bebido já não é mais um homem.

É um animal.

E já não tem mais um lar.

Tem um inferno.

O homem bebido é o diabo em figura de gente

E transforma seu lar num inferno.  

(Heraldo José Meirelles).

 

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