Com enredo muito parecido com o de O primo Basílio, em uma
linha acentuadamente naturalista, o conto No Moinho tem um
problema relativo à construção da protagonista. A falta de coerência
marca a trajetória que vai da “senhora modelo”, que vive para cuidar
do marido inválido e dos filhos doentes, à mulher promíscua, que
pensa em apressar a morte do marido e deixa os filhos sujos e sem
comida até tarde. Toda esta transformação de caráter provocada pelo
simples beijo de um primo.
Apesar da variedade temática, pode-se perceber no conto de Eça uma
grande preocupação com as dores humanas. Seus personagens são em
geral tristes, alguns céticos, outros ingênuos, mas sempre
atormentados.
Neste conto como em outros, os eventos surgem no discurso narrativo
seguindo a sua ordem cronológica.
Os eventos são relatados linearmente, delineando três situações
diferentes para a personagem protagonista:
— a da enfermeira zelosa;
— aquela em que conhece e se apaixona por Adrião;
— aquela em que se entrega a leituras românticas desencadeadoras de
imaginários falsos e perniciosos.
O final adúltero é a consequência lógica e determinística deste
percurso. O elemento desencadeador da ação é Adrião, cuja chegada
vem alterar o decorrer monótono, mas pacífico, da vida de D. Maria
da Piedade, causando diferentes atitudes e comportamentos. A sua
visita instaura o conflito necessário à narrativa.
O espaço e o tempo da história — uma vila de província e um tempo
contemporâneo — são facilmente reconhecíveis pelo leitor, porque se
apresentam idênticos à sua própria vivência.
No moinho é um conto que prescreve que o leitor imagine
aquela história como verdadeira. Trata-se de uma forma específica de
desencadear o imaginar muito utilizada pela ficção realista.
Personagens principais
D. Maria da Piedade - protagonista. Caracterizada como "uma
loura, de perfil fino, a pele ebúrnea, e os olhos escuros de um tom
de violeta, a que as pestanas longas escureciam mais o brilho
sombrio e doce", surge no início do conto com a imagem angélica de
mulher sacrificada e dedicada às doenças do marido e dos filhos,
vivendo isolada do mundo e da vida social. A chegada de Adrião,
primo do marido, modifica esta existência: uma fugaz atração
sentimental por essa figura viril e atrativa induz Maria da Piedade
num "romantismo mórbido" que a leva ao adultério.
Adrião: primo de João Coutinho, é escritor famoso e homem
público. Adrião projeta, sobre a vila em que vive D. Maria da
Piedade a sua fama de "herói de Lisboa, amado das fidalgas,
impetuoso e brilhante, destinado a uma alta situação no Estado".
Também por isso, a sua figura viril e sedutora atrai Maria da
Piedade a uma fugaz aventura, resultado de um comportamento
masculino de índole donjuanesca.
Enredo
A história do conto No Moinho é composta pela narração de
parte da vida de D. Maria da Piedade, uma senhora modelo, loira e
linda, casada com João Coutinho — rico mas entrevado —, que toma
conta da sua casa, trata das doenças do marido e dos filhos, agindo
como uma zelosa enfermeira. A chegada de Adrião, primo do marido,
que embora seja romancista é caracterizado como um homem robusto,
vem alterar a rotina deste modo de viver. Depois de o ajudar a
vender uma propriedade, D. Maria da Piedade vai com ele visitar um
moinho velho; e Adrião, cortejando a prima, fala-lhe de uma vida a
dois, ali, no moinho, e dá-lhe um beijo. Adrião parte logo para
Lisboa, mas esta experiência leva D. Maria da Piedade a imaginar um
outro modo de vida. Começa a ler romances e a não cuidar dos seus
doentes. Envolvida num "romanticismo mórbido", acaba por cometer
adultério com o sebento praticante da botica.
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OBRA.
José Maria de Eça de Queirós
(Póvoa de Varzim, 25 de novembro de 1845 — Paris, 16 de agosto
de 1900) é um dos mais importantes escritores lusos. Foi autor,
entre outros romances de reconhecida importância, de Os Maias
e O crime do Padre Amaro; este último é considerado por
muitos o melhor romance realista português do século XIX
Prof.
Heraldo Meirelles é Coordenador de ONG, web e mover design, Ativista
Social, humanitário
Negligenciar a educação de uma criança é negar a ela um
futuro e promover à sociedade um grande problema. (Heraldo Meirelles)